Uma ofegante epidemia

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Em 24 de fevereiro de 84 foi realizado um grande comício em Belo Horizonte,  que reuniu 300 mil pessoas na Praça Rio Branco. O palanque foi dividido por nomes da política, como Leonel Brizola, Tancredo Neves, Lula, Ulysses Guimarães e artistas como Chico Buarque e Simone. O clima do evento foi de uma grande festa pela democracia.  Mesmo correndo o risco de não ter a Emenda aprovada, a oposição ao regime militar pôde ver ampliado o seu espaço de atuação política.

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Vai passar…

 

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A partir desses comícios, outras manifestações foram realizadas pelo país. A Caravana das Diretas percorreu as regiões Norte e Nordeste, houve manifestações em quase todas as capitais nordestinas assim como em diversas outras cidades do interior dos estados e  no litoral.

Mesmo no próprio PDS, partido da base governista, a campanha encontrou apoio. No fim de março de 84, 60 deputados do partido diziam ser à favor do voto direto para presidente da República, inclusive o vice-presidente, Aureliano Chaves

Quatro, cinco mil…

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Após o sucesso do evento em Curitiba, foi organizado um comício em São Paulo, para o qual era esperado um forte apoio popular. O transporte gratuito, por meio da liberação de catracas de ônibus e metrôs) e presença política, como do governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. Foram confeccionados cartazes, outdoors, anúncios de tv e rádio foram divulgados. No dia 25 de janeiro de 1984, data do aniversario da cidade, o transporte publico foi liberado para o deslocamento dos manifestantes. Chovia, mesmo assim  a praça da Sé foi tomada por 300 mil pessoas.

Diversos discursos foram feitos e a massa cantava hinos de protesto como “Um, dois três, quatro, cinco mil, queremos eleger o presidente do Brasil”. Camadas de trabalhadores de classe média, do setor público e privado, estavam presentes, assim como as entidades representativas da classe operária e os representantes de movimentos sociais diversos como o feminista, o negro e o estudantil. A ausência de integrantes das elites empresariais demonstrava que esse setor preferia evitar uma mudança política “radical”.

O Congresso Nacional é o nosso alvo

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No ano de 1983, em meio a uma profunda crise econômica nao só  a classe assalariada, mas também o empresariado, demonstrou seu desgosto com o governo, intensificando os protestos. Nesse período, os funcionários públicos foram aqueles que realizaram as greves mais longas e com maior média de participação No setor fabril, destaca-se a mobilização dos metalúrgicos, do ABC paulista. Em 21 de maio foi realizada a primeira greve geral durante o regime militar, que se espalhou por 11 estados e teve participação de milhões de trabalhadores. Esses movimentos ganharam força com a apresentação da emenda Dante de Oliveira, em 02 de março de 1983.

Para que a Emenda Dante de Oliveira fosse aprovada, seriam necessários 2/3 dos votos das duas casas legislativas, o que corresponde a 320 votos na Câmara e 26 no Senado. As dificuldades eram grandes, sobretudo frente aos senadores chamados biônicos, considerados mais leais ao regime, pois não haviam sido eleitos pelo voto popular, mas escolhidos pelos militares ou indiretamente pelas assembléias estaduais.

A união faz a força

 

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No final da década de 1970 e inicio dos anos de 1980, os movimentos sociais tomaram mais e maiores espaços na cena pública. Velhas associações corporativistas foram renovadas enquanto novas surgiam. As reivindicações passaram a ser mais abrangentes, não se restringindo às demandas de um determinado setor, mas refletiam uma insatisfação econômica e política geral, expressada por meio de protestos.

Em 1982, nas eleições diretas para governador, candidatos que faziam oposição ao regime foram vitoriosos em vários estados. Muitos deles desempenharam papeis importantes na organização da campanha pelas Diretas Já!

Contra o arrocho e o desemprego

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Houve momentos, nos anos de 1970, em que a economia brasileira cresceu acima da média dos países com capitalismo avançado. Isso aconteceu em parte, por conta dos incentivos dados à industrialização, tais como a redução de impostos, a concessão de financiamentos a longuíssimo prazo, ou ainda, os investimentos diretos de recursos públicos. É nesse período que o setor industrial passou a somar mais riquezas do que o setor agrícola, no Brasil. Essa diversificação produtiva acelerou tanto o processo de urbanização, quanto a organização de novos grupos e associações profissionais, que passaram a disputar espaços de atuação.

A campanha pelas Diretas Já! passou a ser vista como uma possibilidade para empreender causas nao apenas de ordem política, mas também sociais e econômicas, o que, de modo geral, fez ampliar o conceito e o entendimento de democracia, no pais. Gradualmente muitos setores da sociedade foram comovidos; até mesmo a ala mais moderada do PMDB, liderada por Tancredo Neves, que trabalhava com a hipótese do voto indireto para a sucessão presidencial.

Queremos votar!

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Ao longo de quase duas décadas, algumas práticas empregadas pela ditadura militar foram  modificadas, contudo, mesmo quando começaram a aparecer os primeiros sinais de esgotamento, permaneciam o autoritarismo e a centralização do poder.

A abertura política começou muito timidamente quando a coalizão militar liderada pelo general Ernesto Geisel assumiu o controle do Estado e adotou medidas como: a revogação do AI-5, a restauração parcial da competição político-eleitoral e o afrouxamento da censura à imprensa e à produção artística. A reforma partidária, por exemplo, abriu espaço para o surgimento do PP, PDT, PT e PTB, alem de transformar a Arena (partido da base) em PDS e o MDB (da oposição) em PMDB.

…Diga: Diretas Já!

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O movimento social que ficou conhecido como Diretas Já !foi o resultado da união de diversos grupos, tais como partidos, sindicatos, associações representativas, agremiações estudantis etc, que organizaram manifestações públicas, entre 1983 e 1984, para pressionar o Congresso Nacional, em favor da aprovação da Emenda Dante de Oliveira.

Essa emenda constitucional propunha o restabelecimento das eleições diretas para Presidente da República, interrompidas desde o golpe militar, em março de 1964.  Até então, a participação política da sociedade estava limitada ao voto para representantes do poder legislativo e para os cargos executivos municipais e estaduais; o que não pode deixar de ser visto como uma conquista valiosa, dentro de um regime de exceção.

Proposta de trabalho

 

Uma vez que a turma de alunos tenha assistido ao vídeo-reportagem, dando inicio à discussão sobre o tema das Diretas Já!, e que tenha, inclusive , aprofundado esse debate, após a leitura dos artigos de jornal, iniciaremos a produção do blog.

Para isso, sugerimos que o professor separe, de antemão, imagens que serão distribuídas para os grupos de alunos, com até seis integrantes. Apostamos preferencialmente nas fotografias e nas charges que registraram o período da campanha.

A idéia aqui é propor que os alunos redijam posts a partir das imagens. Um ou dois parágrafos concisos,  bem argumentados. Acreditamos que, desse modo, eles poderão ativar conhecimentos de várias áreas, como a gramática, ou a literatura, a geografia, por que não?

Seguramente, por ser feito de maneira coletiva, esse trabalho incita a prática da negociação. Será preciso encontrar formas para defender pontos-de-vista, ou um meio de abrir mão, ser for necessário. O jogo é esse: aprender a usar a cuca para fazer a vida (o texto, o projeto) avançar, mas também para saber recuar, diante de uma limitação momentaneamente intransponível.

Extra! Extra(ordinário)!!

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Buscando fomentar a construção de repertório e as discussões dos alunos em torno do tema, selecionamos quatro reportagens, encontradas no Banco de Dados do jornal Folha de São Paulo, disponíveis a partir dos seguintes links:

1. No Rio, mais de 1 milhão pelas Diretas, de 11 de abril de 1984

http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_11abr1984.htm

2. São Paulo faz o maior comício, de 17 de abril de 1984

http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_17abr1984.htm

3. Congresso repele cerco policial e vota hoje a Emenda das Diretas, de 25 de abril de 1984

http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_25abr1984.htm

4. Use preto pelo Congresso Nacional- A Nação frustrada! Apesar da maioria de 298 votos, faltaram 22 para aprovar as Diretas, de 26 de abril de 1984

http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_26abr1984.htm

Vale lembrar que, apesar da abertura política (lenta, gradual e segura), os meios de comunicação ainda estavam sujeitos à censura da ditadura militar e que, portanto, a cobertura da campanha pela imprensa foi bastante tímida, considerando-se o quão extraordinárias foram as passeatas e as ocupações nas vias públicas.